Em busca da latrina perfeita

Por Dahiani Nunes Bossi

No final de 2012, estava no segundo período da graduação, decidi que queria trabalhar com genética de mamíferos. Foi então que procurei a Dra. Ana Paula Cazerta Farro para conversarmos sobre os projetos que ela desenvolvia. Ela mIMG_2610e explicou a respeito dos seus projetos e de um novo projeto que iria desenvolver junto ao Pró-Tapir, que tinha por objetivo avaliar a diversidade genética de antas nos remanescentes florestais do Espírito Santo. Apaixonei-me pelo projeto sem ao menos saber como seria o desenvolvimento deste, não tinha ainda conhecimento de laboratório e nem de campo.

Passei alguns períodos cumprindo disciplinas e acompanhando as reuniões do grupo de genética. Até que, no dia 29 de janeiro de 2015, fui para o meu primeiro campo, sem conhecer ninguém que estaria ali comigo. Chegando lá conheci a Dra. Andressa Gatti, coordenadora do Pró-Tapir, cheia de sonhos e objetivos para a conservação das antas e junto a ela estava uma equipe maravilhosa: Cris, Paula e Seu Zé. Todos muito empenhados na busca ativa por fezes de antas, registro de pegadas e checagem de armadilhas fotográficas. Eu precisava coletar fezes frescas para extrair o DNA e realizar a identificação de indivíduos e análises de diversidade. Logo me orientaram como andar na mata e os cuidados a tomar.

Após coletar as amostras, fui para o Laboratório de Genética e Conservação Animal, do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (CEUNES) da UFES, e com isso obtive os resultados para minha monografia. Hoje sou aluna do mestrado em Biodiversidade Tropical no CEUNES e continuo minha pesquisa com uso de um maior número de locos microssatélites, com os seguintes objetivos: Identificar indivíduos de Tapirus terrestris presentes no Complexo Sooretama-Linhares; determinar a diversidade genética para os indivíduos identificados; verificar a existência de estruturação genética entre os indivíduos para os diferentes fragmentos; identificar se os indivíduos do leste da reserva se deslocam para o oeste e vice-versa, cruzando a Rodovia BR-101.

Em breve escreverei novamente para compartilhar um pouco mais das minhas experiências com o estudo das antas, esse animal difícil de ser visto no complexo Sooretama-Linhares, mas que estão lá, deixando a fotografia do seu olhar curioso nas armadilhas e suas fezes fresquinhas para os estudos genéticos.

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