Fotografia e Conservação das Antas: uma parceria de sucesso

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A pesquisadora Ana Carolina Srbek Araújo registrou o momento exato em que o Gustavo estava fotografando a anta, na Reserva Natural Vale.

Por Andressa Gatti e Danielle Moreira

Sempre vimos lindas fotos e filmagens da natureza em documentários na televisão, notícias, blogs, sites de fotografias, livros, facebook, projetos de pesquisa e conservação da biodiversidade, etc. De uma certa forma, era tudo muito próximo, mas ao mesmo tempo distante de nós. Apesar de termos uma ideia do quão trabalhoso é fotografar os animais em vida livre e toda a paisagem, foi só quando começamos o Pró-Tapir é que a ficha realmente caiu.

Mas não iniciamos esse trabalho sozinhos. Na verdade, encontramos parceiros engajados na causa e que sempre estão interessados em registrar os animais silvestres, inclusive a anta, com o propósito de chamar a atenção da população para a conservação da fauna e flora.

Logo no início, nossos amigos Gustavo Magnago, Leonardo Merçon e Ilka Westermeyer nos proporcionaram belos registros. Com eles, tentamos aprender algumas técnicas de fotografias, mas para dizer a verdade, precisamos de muito treino e dedicação para isso! Afinal fotografia é uma arte, e é necessário paciência e sensibilidade.

Este é o Jorge, tranquilo, se deliciando em uma poça de água lamacenta. Léo e sua equipe tiveram o prazer de ficar observando ele por vários minutos.

Este é o Jorge, tranquilo, se deliciando em uma poça de água lamacenta. Léo e sua equipe tiveram o prazer de ficar observando ele por vários minutos.

Anta fotografada por Léo Merçon, na Reserva Biológica de Sooretama.

Anta fotografada por Léo Merçon, na Reserva Biológica de Sooretama.

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Esta imagem feita pelo amigo Gustavo Magnago reflete simplesmente o mais lindo dos sentimentos, o AMOR!

 

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Exato momento em que Peter se preparava pra fotografar a anta, que vimos dentro do talhão de eucalipto. Já era quase noite e chovia!

O interessante é que  nossas parcerias fotográficas não acabam! Este ano tivemos o prazer de conhecer o holandês Peter Schoen, que entrou em contato conosco, em 2014, interessado em nos acompanhar nos nossos trabalhos de campo. Foi então que no dia 13 de dezembro Peter veio nos visitar e participou de uma de nossas campanhas. O resultado foram lindas fotos e uma nova amizade.

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Ele desejava muito fotografar uma anta e conseguiu!!

 

Mas, nossa equipe tem seus fotógrafos amadores! Kiki, a primeira veterinária do projeto, também foi nossa primeira fotógrafa amadora. Eram 10 horas da manhã, em julho de 2012, quando vimos este machão! Eram 10 horas da manhã, em julho de 2012, quando vimos este machão! Kiki fez esse lindo registro!

Em seguida, Rafael também captou nosso trabalho com aquela sensibilidade. Nosso amigo do IMD, Felipe Buloto, nos acompanhou em uma de nossas campanhas de captura e fez aquele “book” fotográfico. E o restante da equipe sempre está com uma câmera na mão para tentar registrar atividades importantes.

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Mãe e filhote fotografados, na Reserva Natural Vale, pelo nosso amigo José Nilton.

Ainda, temos diversos amigos que sempre nos agraciam com registros impressionantes das antas e de outros animais. Diego e Zé Nilton são essas pessoas. Não são fotógrafos profissionais, mas a curiosidade deles e a vontade de compartilhar as belezas da natureza conosco, já lhes renderam imagens surpreendentes

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Fotografada por Diego Rocha, ex-vigilante da RPPN Recanto das Antas.

Pois é pessoal. O que aprendemos com nossos amigos fotógrafos é que a parceria entre pesquisadores e fotógrafos de natureza está cada vez mais forte e mais importante. Nós possuímos o mesmo interesse: primeiro, a conservação das antas, das matas e das outras espécies e, segundo, sensibilizar a população em nos ajudar a proteger nossos animais e florestas. Afinal, como diria o nosso amigo Leonardo Merçon: “Só protegemos aquilo que conhecemos”.

Por tudo isso, queremos agradecer a vocês, amigos fotógrafos, esse trabalho tão forte e sensível que, ao mesmo tempo, capta o que a natureza tem de melhor. Nossos sinceros agradecimentos a:

Leonardo Merçon, Ilka Westermeyer, Gustavo Magnago, Letícia Belgi Bissoli, Peter Schoen, Felipe Buloto, Maria Fernanda Gondim (Kiki), Rafael Cipriano, Diego Rocha, José Nilton Silva, Xerxes Caliman e a você que pode se sentir motivado a fotografar após ler nosso texto e ver estas belas imagens!!

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By Andressa Gatti and Danielle Moreira

We always see beautiful photos and footage of nature in documentaries, news, blogs, photo sites, books, Facebook, research and conservation projects, etc. In a way, it was all very close, but at the same time apart from us. Although we had an idea of how much work was necessary to photograph animals in the wild, it was only when we started the Pró-Tapir that the idea was confirmed.

anta no eucalipto_xerxesBut we did not start this work alone. In fact, we found partners engaged in the cause and always interested in registering the wild animals, including tapirs, in order to draw the attention of people in conservation of fauna and flora.

In the beginning, our friends Gustavo Magnago, Leonardo Merçon and Ilka Westermeyer gave us beautiful photos. With them, we tried to learn some photo techniques, but to tell the truth, we needed a lot of training and dedication for it! After all, photography is an art that needs patience and sensitivity.

But our photographic partnerships did not end! This year we had the pleasure of meeting the Dutch Peter Schoen, who contacted us in 2014, interested in following us on our field work. Then on December, 13, Peter came to visit us and took part in one of our field work campaigns. The result was beautiful photos and a new friendship.

But our team has its amateur photographers! Kiki, the first veterinary of the project, was also our first amateur photographer. She took a great picture of a male tapir in July 2012. Then, Rafael also register our work with that sensibility. Our another friend from IMD, Felipe Buloto, accompanied us in one of our capture campaigns and made great photos. And the rest of the staff is always with a camera in hand trying to record important activities.

Still, we have several friends who always gracing us with impressive records of tapirs and other animals. Diego and Zé Nilton re one of those people. They are not professional photographers, but their curiosity and the desire to share the beauty of nature with us, resulted in amazing pictures.

That’s it folks. What we’ve learned from our photographer friends is that the partnership between researchers and nature photographers are becoming stronger and more important. We share the same interest: first, the conservation of tapirs, of the forests and other species, and second, to sensitize the population to help us protect our animals and forests. After all, as our friend Leonardo Merçon always says: “We only protect what we know.”

For all that, we want to thank all our photographers friends:
Leonardo Merçon, Ilka Westermeyer, Gustavo Magnago, Leticia Belgi Bissoli, Peter Schoen, Felipe Buloto, Maria Fernanda Gondim (Kiki), Rafael Cipriano, Diego Rocha, José Nilton Silva and Xerxes Caliman.

We hope that this post and beautiful pictures can motivate you to photograph all the beauty of nature!!

Nossa equipe no Sixth International Tapir Symposium

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Da esquerda para direita: Edsel Moraes Júnior, Natalia, Andressa, Fernando Nogales e Eduardo.

Por Andressa Gatti

Lembro como se fosse hoje, a minha ida para o International Tapir Symposium, realizado por IUCN/SSC Tapir Specialist Group (TSG), em 2006, na Argentina. Fazia um ano que eu tinha defendido a minha dissertação sobre a viabilidade populacional das antas, na Mata Atlântica. Era uma pesquisadora que estava apenas começando a conhecer o fantástico mundo das antas, mas já estava apaixonada e decidida que me dedicaria à proteção delas. Então, com a cara e coragem lá fui eu para Buenos Aires, na companhia de um grande amigo, o Edsel. Alguns amigos me ajudaram a viabilizar minha ida e eu agradeço a eles até hoje. Foi uma experiência incrível, porque conheci vários estudiosos sobre todas as espécies de antas, não só a Anta Brasileira (Tapirus terrestris), fiz bons amigos e comecei a entender melhor o funcionamento do TSG. Foi demais!!!!!

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Paulo Rogerio Mangini na apresentação de seu poster.

Depois de oito anos, em novembro deste ano,  pude novamente ir ao Simpósio, mas desta vez ele tinha um gostinho muito mais especial. Primeiro porque foi realizado aqui no Brasil, em Campo Grande, e segundo, porque eu fui com a minha equipe do Pró-Tapir: Amabili Falqueto, Cristina Jaques, Paulo Rogério Mangini, Igor Acosta e Jardel Seibert. E, além disso, apresentamos alguns resultados já obtidos ao longo destes quase quatro anos de projeto!! Tenho certeza que para eles a sensação também foi pra lá de especial!

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Jardel Seibert durante a apresentação oral.

Meu orgulho foi enorme ao ver o Jardel Seibert apresentando parte dos dados da sua dissertação de mestrado sobre o grau de frugivoria das antas, em duas unidades de conservação aqui no estado: a Rebio Córrego do Veado e a RPPN Recanto das Antas.

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Participantes do Sixth International Tapir Symposium

Foi um simpósio que reuniu quase 100 pesquisadores, da Ásia, América Central, América do Sul,  América do Norte  e Europa. Pessoas muito queridas, todas interessadas na proteção das  espécies de Tapirus. Não só pesquisadores já consagrados nos estudos  com as antas, mas também interessados em iniciar projetos com elas,  especialmente aqui no Brasil. Isso é muito motivante!!!  Quanto mais  temos informações sobre as antas, em diferentes regiões, mais embasadas  serão as propostas e ações de conservação para todas as espécies de anta.

Em 2006, ter um projeto voltado para a conservação das antas aqui no Espírito Santo era um sonho e hoje ele é realidade. Conseguem imaginar a minha felicidade?

Abraços de anta

Andressa Gatti

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By Andressa Gatti

I remember like it was today when I was going to the International Tapir Symposium, held by IUCN / SSC Tapir Specialist Group (TSG) in 2006, Argentina. It had been a year that I had defended my dissertation on the population viability of tapirs of the Atlantic Forest. I was  a researcher who was just getting to know the wonderful world of tapirs, but I was already in love with it and decided to dedicate myself to their protection. Then, with the face and courage I went to Buenos Aires in the company of a good friend, Edsel. Some friends helped me to travel to Argentina, and I still thank them for it. It was an amazing experience because I met several scholars that study all species of tapirs, not only the lowland tapir (Tapirus terrestris), I made good friends and I began to better understand how the TSG works. It was awesome !!!!!

After eight years, in November this year (2014), I went again to the Symposium, but this time it had a much more special taste. First because it was held here in Brazil, in Campo Grande, and second, because I was with my Pró-Tapir team: Amabili Falqueto, Cristina Jaques, Paulo Rogério Mangini, Igor Acosta and Jardel Seibert. Also, we presented some results of our studies after four years of Pró-Tapir!!! I’m sure that my team had the same special feeling that I had!

My pride was huge to see Jardel Seibert presenting part of the data of his dissertation about frugivory of tapirs in two protected areas in the state of Espírito Santo: the Biological Reserve of Córrego do Veado and the RPPN Recanto das Antas.

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It was a symposium that brought together almost 100 researchers from Asia, Central America, South America, North America and Europe. People very dear, all interested in the protection of tapirs. Not only researchers already established in studies with tapirs came, but also those interested in starting projects with them, especially here in Brazil. This is very motivating !!! The more we have information on tapirs, in different regions, more reliable the proposals and conservation actions will be for all species of tapir.

 

In 2006, having a project aimed in conservation of tapirs here in Espírito Santo was a dream, and today it is reality. Can you imagine my happiness?

A primeira vez a gente nunca esquece…

Como o tempo passa. Parece que foi ontem a nossa primeira saída de campo!! Era um domingo, 16 de janeiro de 2011, estava bem quente e todos (Dani, Luana, Jardel, Kiki, Igor e eu) ansiosos pela nossa primeira atividade em campo do Pró-Tapir, que foi realizada na Reserva Biológica do Córrego do Veado, em Pinheiros! Com exceção de mim, que estive lá em 2006, ninguém da equipe conhecia a Rebio, muito menos sabia chegar até lá. Depois eu descobri que nem eu sabia também…hahahahaha Mesmo passando uns 12 km da entrada para Pinheiros, ainda na BR 101, eu dizia: Estamos no caminho certo!

No caminho certo nós estávamos, mas não necessariamente na direção certa!!! Depois de alguns quilômetros percorridos, entradinha rápida em uma plantaçã644264_444284055652726_1585043354_no de cana-de-açúcar, finalmente chegamos na Rebio Córrego do Veado. Encontramos pessoas receptivas, que logo depois se tornaram grandes amigos e parceiros do Pró-Tapir!

Como todos estavam super ansiosos pra ver as antas, seus vestígios e conhecer a mata da Rebio, tomamos uma bela decisão de acordar bem cedo para andar alguns quilômetros até a entrada da trilha do Água Limpa. Foram quase cinco horas e meia de caminhada em uma mata de difícil acesso, pés super cansados, algumas picadas de marimbondos, mas valeu cada minuto!!! Encontramos vários registros das antas e também de outros animais, além de vários puleiros de caçadores (triste, triste). Pela primeira vez, estávamos imersos em uma mata sobrevivente. Em 1987, quase 80% da área da Rebio foi queimada. Porém, é impressionante quando nos deparamos com tantas espécies da fauna e flora, cheias de vida! Mas toda essa vivacidade é ameaçada por caçadores que ainda insistem em entrar na Rebio!!!

Relendo o diáIMG_2107 (2)rio de campo coletivo, feito por Dani, Lu, Jardel, Kiki e eu, encontrei um trecho que também se encaixa para vários dias em campo após três anos de projeto: “Parece que sempre chegamos nos locais logo depois da passagem das antas. Fezes sempre frescas, pegadas sempre recentes! Mas nada de anta por enquanto… temos que continuar nossa saga de perseguição!” Aliás, os relatos dos dias da primeira campanha são curiosos…rsrsrs

E é isso, estamos apenas no começo de um trabalho realizado com muita dedicação, amor e profissionalismo!!

Beijinho de anta em todos!!

Andressa Gatti